A mente é um fluxo de pensamentos.
A pesar de parecer possuir sua lógica, através da qual um pensamento leva ao outro, esse processo não é consciente. Ninguém pode saber qual será o próximo pensamento, o que nos dá a impressão de não poder controlá-la

A técnica de japa
japa é uma forma de adoração oral, assim como também é um dos meios pelo qual conseguimos identificar os padrões mentais de nossos pensamentos e conquistar uma mente tranquila. Para que possamos entender como japa funciona, precisamos entender como a mente funciona.
É através da técnica de japa que podemos reconhecer os hábitos de nossa mente, seja pela repetiçao de um mantra – uma palavra específica ou uma curta sentença. As três formas de japa são: ucca-japa, repetições do nome do Senhor ou da vocalização audível de um mantra; manda-japa, vocalizaçaõ não-audível aos outros; e citta-japa, vocalização exclusivamente mental, também chamado de dhyãna, ou meditação.

Nessa técnica oferecemos à mente algo específico a ser realizado. Visto que a repetição da mesma palavra ou sentença está envolvida, os pensamentos não conseguem conectar-se livremente.
As outras funções da mente, como a memória e reflexão, ficam também impedidas de acontecer, porque durante a repetição não há participação da memória como num cântico mais comprimido. Se a recitação for executada sem nenhuma atenção ao seu siginificado, o intelecto não é acionado. Dessa forma cria-se deliberadamente uma mente na qual os pensamentos são previsíveis, e todas as funções mentais são minimizadas. Com a mente ocupada, o surgimento de qualquer pensamento diferente ao mantra será percibido e podemos rejeitá-lo e voltar a nossa atenção ao mantra.

Esse processo é uma forma de aprender a permanecer alerta ao surgimento dos pensamentos, e assim, rejeitar os indesejáveis e manter os proveitosos. Deste modo, o praticante fica mais vigilante aos próprios padrões mentais e com um conhecimento mais profundo de sua mente.

Prece mental
Se japa fosse apenas uma técnica mental, então qualquer som serviria como um mantra. Entretanto, não podemos sentar e cantar sons sem sentido algum. Os mantras possuem significado e inviolabilidade graças a sua asociação ao Senhor. Quando executamos um mantra em forma de japa, invocamos em nós a relação entre o devoto e o Senhor. Todo relacionamento implica um determinado papel e certas limitações e conflitos. A relaçao de um devoto com o Senhor e importantíssima já que simboliza a relação do indivíduo com o Todo, mas também é relativamente livre de conflitos. Assim, quando sentamos e realizamos japa como um devoto, invocamos imediatamente uma mente mais focada, porque as distrações que nos acompanham diariamente são reduzidas. Seja uma palavra ou uma frase conectada ao Senhor, o mantra é uma prece mental, o que torna japa mais do que uma simples técnica.

O uso do japa-mãlã
japa-mãlã o cordão de sementes, similar ao rosário usado em muitas religiões como o Cristianismo, Islamismo e Budismo, é de extremo auxílio à prática de japa. Este cordão é composto de 108 sementes, sendo que uma a mais é colocada separada das demais; chamada da semente de meru.

O alfabeto sânscrito é composto de 54 letras. Repetidas de trás para frente e ao contrario formam um total de 108. Como qualquer nome do Senhor, conhecido ou desconhecido, nele está contido essas letras; o número 108 representa o Senhor.

japa-mãlã deve ser segurado com a mão direita e com os dedos anelar e menores permanecendo unidos com o mala apoiado ao anelar. As contas são contadas com o polegar e o dedo médio, e devem ser movidas na direção da palma da mão enquanto vocaliza-se o mantra. O processo só termina quando o meru é alcançado. Nesse ponto, o mãlã deve ser girado para que a contagem continue, sempre seguindo a mesma direção. Esse processo é chamado de contagem e cada conta representa a repetição do mantra. Com um pouco de prática você aprenderá a utilizar o japa-mãlã.

Utilizá-lo na vocalização de um mantra é extremamente útil. O canto de um mantra costuma ser associado com a contagem das sementes.  Quando você se distrai, ou pára de repetir o mantra inconscientemente, o movimento do mãlã também pára. Essa é outra maneira de tornar-se consciente de suas distrações enquanto pratica.

Na Bhagavad Gita (10.25) o Senhor Krishna salienta a importância de japa ao dizer, “yajñãnãm japa-yajño’smi” – entre os yajñas, rituais, “Eu Sou o japa“. Há muitos rituais através dos quais o Senhor é invocado. Aqui, o Senhor Krishna menciona o japa como sendo a melhor forma de adoração, dizendo que ele é o japa.

O verso seguinte continua a descrever a glória da japa:

Jãkarah janmaviccedah pakãrah pãpanãsnah
janmakarmaharo yasmãt tasmãjjapa iti smrtah

“A sílaba ‘ja‘ significa o fim do ciclo de nascimentos. A sílaba ‘pa‘ representa a destruição de todas as impurezas. Por esse motivo, o meio pelo qual o ciclo de nascimentos (e morte) e todas as impurezas são destruídas é chamado de japa

Deste modo, japa funciona como uma
prece e como uma técnica muito útil para
compreender os hábitos da nossa mente.
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